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A necessidade de inovar globalmente

Marcos Troyjo, Professor do Ibmec-RJ e pesquisador da Universidade Paris V-Sorbonne A evolução tecnológica é a fronteira da prosperidade no século 21. Ainda que o Brasil apresente vantagens comparativas nas commodities, o valor agregado é o ingresso para o amanhã. Oque dizer do preço da tonelada chinesa exportada ao Brasil aUS$3mil, enquanto a tonelada brasileira à China vale apenas US$ 163? Que conclusões tirar de que em 1996 ambos geravam o mesmo número de patentes; a China 6,5 vezes amais em2006 e,no ano passado, 20 vezes a mais que o total brasileiro? Disseminar produtos e serviços pelo mundo, via exportação ou “empresas-rede”, dará o tom da competitividade brasileira. Inovação e internacionalização, de mãos dadas, são imperativos da economia contemporânea.
Num cenário global complexo, uma das certezas é que não há futuro sem geração de conhecimento que seja: (I) voltado à geração de lucro e (II) articulado a esforços agressivos de conquista de mercados externos. Desde o Descobrimento há mais de 500 anos, a economia brasileira viveu ciclos de “monocultura de exportação” (ouro, cana de açúcar, borracha, café). Produtos “comprados” e não “vendidos”. A internacionalização da economia brasileira, alicerçada num percentual elevado do comércio exterior no PIB, jamais foi realidade em nosso país. Hoje, tal fatia é inferior a 20%. A desculpa que se ofereceu foi a escala, concreta ou potencial, do mercado interno. A China contemporânea tem 1,3 bilhão de consumidores. Mais de 50% de seu PIB é associado ao comércio global. A China é ainda o principal destino de IEDs. Impressiona a capilaridade das empresas chinesas na África,América Latina e restante da Ásia. O patamar de internacionalização da sociedade brasileira é baixo. Um punhado de empresas participa dos fluxos de comércio e investimento. Nenhuma universidade brasileira pode considerar-se global. Pequeno percentual da população é fluente em inglês. Poucos membros do Congresso interessam- se por temas internacionais. Não estranha que o Brasil ocupe menos de 1% do comércio mundial. A atração de IEDs e a promoção internacional de nossas empresas precisa de um componente indispensável: talentos capacitados a empreender globalmente e em áreas tecno-intensivas. O empreendedor brasileiro tem agora importante ferramenta para esse fim. É o Pide – Programa de Inovação & Diplomacia Empresarial, realizado pela Fundação Inovata-FDTE, associada à USP, e o CDE-Centro de Diplomacia Empresarial. Será lançado em Conferência no próximo dia 13, no Teatro CIEE, em São Paulo. Tem o apoio da FIESP, CIEE e do BRASIL ECONÔMICO. É de grande simbolismo a iniciativa dar-se no âmbito de renomada instituição de desenvolvimento tecnológico da Engenharia, cujo líder é o ex-reitor da USP Hélio Guerra. O Pide busca nova visão de empreendedorismo a partir da internacionalização, promoção de exportações, atração de investimentos e inovação tecnológica. Em módulos de um semestre de duração, complementados por conferências em importantes centros de conhecimento mundial, como a Columbia University, o Pide oferecerá o instrumental essencial para uma nova inserção competitiva de empresa brasileira. O patamar de internacionalização da sociedade brasileira é baixo. Um punhado de empresas participa dos fluxos de comércio e investimento.

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