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Com ajuste, investimento federal em pesquisa recuou 60% no ano passado

Depois de anos de alta, o auxílio do governo federal para pesquisadores despencou após os cortes em 2015; de acordo com especialista, a redução pode afetar o desenvolvimento do País no futuro.

 

O auxílio financeiro do governo federal a pesquisadores caiu 60% em 2015, chegando ao menor nível desde 2006, segundo dados do Portal da Transparência da Controladoria Geral da União (CGU).

Reprodução

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A redução do investimento em pesquisa, realizada pelos ministérios da Educação (MEC) e da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), “é um equívoco enorme”, criticou Odilon Guedes, professor da faculdade de economia da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP).

“A pesquisa é fundamental para qualquer sociedade, porque proporciona inovação tecnológica, aumentando a produtividade e a competitividade das empresas do País, o que se traduz em crescimento econômico e também em geração de riqueza”, defendeu o professor.

No ano passado, o MCTI usou R$ 76,3 milhões para auxiliar pesquisadores, enquanto o MEC direcionou R$7,8 milhões para o mesmo fim. Em2014, as quantias chegaram a R$ 162,8 milhões e R$ 37 milhões, respectivamente.

Com as reduções das pastas responsáveis pelo setor, o auxílio federal a pesquisadores recuou 60%, de R$209,8 milhões para R$ 84,1 milhões, menor número desde 2006, quando o investimento foi de R$ 41 milhões.

“Se trata de um corte muito pesado para a pesquisa, mas muito pequeno pensando no ajuste e no orçamento federal, que é muito maior”, disse Guedes.

O professor afirmou também que o montante investido em anos anteriores “já era muito pequeno”, mesmo com a elevação da quantia destinada para o setor na última década. “Hoje dependemos totalmente de outros países em questões relacionadas à tecnologia, não há satélite brasileiro, não há foguete brasileiro. A saída para isso é pesquisa”, reclamou o especialista.

 

Sobe e desce

Entre 2004 e 2014, o investimento em pesquisa cresceu no Brasil e o resultado foi um aumento da quantidade de profissionais no setor. Segundo dados do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o número de pesquisadores no Brasil disparou em dez anos: de 77.649 em 2004 para 180.262 em 2014, aumento de 132%.

Entretanto, a queda dos investimentos preocupa especialistas e pode alterar essa trajetória. O próprio CNPq, agência de fomento à pesquisa vinculada ao MCTI, sofreu corte no orçamento para 2016 “de 20% no item bolsas”, segundo a assessoria do conselho.

Em nota enviada ao DCI, o CNPq afirmou, contudo, “que é muito cedo para tirar conclusões prematuras e que ações corretivas estão sendo estudadas em conjunto com o MCTI”.

Sobre o ano passado, o conselho confirmou que aconteceu uma “diminuição de recursos, motivada por emendas supressivas realizadas no Congresso Nacional”.

Ainda assim, de acordo com o órgão, o apoio a pesquisa, inovação e formação do pessoal foi mantido “quase integralmente”.

 

Cortes

A redução dos investimentos também afeta instituições estaduais. Marilane Oliveira Teixeira, pesquisadora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), falou sobre os cortes em São Paulo. “É muito visível para nós, cortaram bolsas de pesquisa, bolsas para mestrado e doutorado, bolsas para cursos de especialização.”

“O que a gente procura fazer é manter a linha de pesquisa e de trabalho de alguma forma, com os recursos que sobraram”, contou Marilane. Segundo a economista, os projetos mais antigos, que já estavam contratados, seguem em andamento, mas a renovação de linhas de pesquisas se tornou um problema.

“Isso acaba diminuindo o incentivo à prática da pesquisa, o que pode comprometer o nosso futuro por afastar as novas gerações.”

Ela apontou também que a área de humanas é a mais afetada pelos cortes, “por ser muito mais dependente do governo federal e ter menos auxílio do setor privado, que é mais direcionado para a área médica ou de engenharia”.

 

Setor privado

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Celso Pansera, se reuniu com a Associação de Empresas do Setor Eletroeletrônico de Base Tecnológica Nacional (P&D Brasil) na última quinta-feira para dialogar sobre o plano de atuação em pesquisa e desenvolvimento tecnológico no País. O vice-presidente da P&D Brasil, Antônio Carlos Porto, apontou a importância de o governo federal garantir às empresas políticas duradouras.

“Para alavancar o setor, uma ação importante seria conseguir manter políticas públicas relacionadas à inovação de longo prazo, evitar que sofram interrupções. É muito difícil formar a cadeia de desenvolvimento tecnológico e se você rompe é muito complicado para recuperar”, afirmou.

Porto também comentou que, em média, as empresas do setor investem 15% da receita em pesquisa e desenvolvimento focado em agregação de valor. Ele concluiu: “Já foi demonstrado que essas empresas agregam 85% de valor para o País. Ou seja, vale a pena investir em P&D [pesquisa e desenvolvimento]”.

 

Fonte: abpi.empauta.com

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