(47) 3520-6604 cerumar@cerumar.com.brÁrea Restrita

Da tradição à inovação

De um lado, estão empresas que apostam na tradição de um produto e, no rastro dele, abocanham a liderança de mercado, alavancando também a venda de outros itens da mesma marca. Do outro, estão companhias que inovam e saem do seu segmento principal para atrair clientes. Em comum, está o interesse em faturar mais. Acetona Ideal, pomada Hipoglós e farinha Maizena são alguns exemplos de “produtos eternos”, que reinam absolutos em seus segmentos. A tradição, no entanto, não significa parar no tempo, ou melhor, nas vendas. Só a pomada para assadura de bebê cresce, em média, 6,5% em volume e 13,25% em valor ao ano. Já a Arezzo, que, além de sapatos e bolsas, começou a vender esmaltes e batons, de olho no poder de compra das fashionistas brasileiras, vê os negócios aumentarem até 30% nas lojas de Belo Horizonte.
Na Ideal Cosméticos, em Nova Lima, na Grande BH, a acetona é a vedete na linha de produção e responde por 40% do total de 60 milhões de unidades de uma gama de produtos que sai da fábrica ao ano.Em 1967, quando foi lançada, eram apenas 1,2 mil unidades. Quarenta e três anos depois,o volume é de24 milhões De unidades. “A acetona é o carro-chefe da nossa produção e a Ideal é líder. Fornecemos de norte a sul do país e, desde 1967, o mercado é crescente”, diz a diretora administrativa da empresa, Flávia Lomônaco. O setor de cosméticos no país cresce, em média,27% ao ano. Segundo Flávia, a Ideal supera essa demanda e a acetona é a locomotiva para a fartura nos negócios aumentar. “Ela abre as portas para outros produtos nossos e temos ainda mais espaço para crescer porque o Brasil é o terceiro maior mercado de cosméticos do mundo”, afirma.
Nas lojas Trousseau, especializadas em vender roupas de cama de luxo, a ordem é abrir novos caminhos. Por isso, a empresa criou no início do ano a linha Petit, destinada ao público infantil de 0 até 12 anos. Nas quatro lojas em Belo Horizonte, é possível agora encontrar, junto com lençóis e fronhas, vestidinhos e calças de sarja para meninas e meninos. “Esses novos produtos agregam não só receita, mas também novos clientes. É uma isca que tenho dentro da loja porque há muitas pessoas que não se interessam por roupa de cama, mas, por causa da Petit, consigo fisgá-las”, explica a proprietária das lojas em BH, Mônica Gonçalves. De acordo com a empresária, a inovação foi um pedido do próprio mercado e deu certo. “Desde o início das vendas da Petit, já registramos crescimento de cerca de 30%”, diz. A marca ainda aposta em outros mercados. “Na Trousseau, nossos projetos são para 20 anos. Tudo o que começa é o início de um caminho que queremos trilhar. Além da Petit, estamos investindo na linha homewear para adultos e crianças, que são roupas confortáveis para ficar em casa”, afirma. Mesmo para marcas que já estão no inconsciente e na preferência do consumidor, inovação é palavra- chave. A Hipoglós, por exemplo, há 70 anos vendida no país – com participação de mercado de 56,7% em volume e 55,4% em valor -, investe na sua seguidora e lançou a versão amêndoas do produto.”A marca Hipoglós tem investido pesado para trazer ao mercado novas embalagens e versões que atendam as necessidades de uma mãe cada vez mais exigente”, diz a gerente de Marketing, Danielle Panissa, sem revelar as cifras.
Se lidera nas vendas, poucos sabem que a tradicional marca de cremes para assadura é fabricada pela Procter & Gamble. “O Hipoglós está entre os itens mais vendidos de uma farmácia, gerando fluxo de consumidores para o estabelecimento. Apesar de não existirem estudos que quantifiquem o aumento de vendas, quando este produto é exposto juntamente com outros itens para cuidados com o bebê, ele ajuda a alavancar as vendasdetoda a categoria”, afirma Danielle. A marca de calçados e bolsas Arezzo aposta na modernidade para aumentar a clientela. Esmaltes, batons e gloss com cores exclusivas passaram a ser vendidos nas lojas da marca.”Os crescimentos defluxo de clientes e de vendas giram entre 20% e 30%”, diz o proprietário das sete franquias Arezzo em BH, Rubinho Fonseca. Segundo ele, com a entrada dos cosméticos, o volume de novas clientes foi detectado principalmente na faixa dos 12 aos 18 anos. “Esse público não era o foco da marca. Elas ficam encantadas com os sapatos e esmaltes coloridos”, diz o empresário.
Fonseca ainda conta que os esmaltes e batons que levam também a marca Arezzo se tornaram complementos indispensáveis dos sapatos. Vendidos a R$ 9,90 a unidade, os esmaltes se destacam pelas cores ofertadas. Já os glosses, a R$ 19,90, não ficam para trás e os tons são diferenciados. “É importante o empresário se reciclar. O que percebo é que muitas clientes entram na loja para comprar um esmalte e acabam levando um sapato”, conta o franqueado. Líder em sua categoria há 130 anos, com mais de 50% de participação de mercado, quem sabe que a Maizena é fabricada pela Unilever? Isso também parece não importar ao fabricante. “A marca Maisena ao longo dos anos se firmou como uma grande aliada da dona de casa na cozinha e está apoiada a um forte vínculo emocional ligado à nutrição. Por esse motivo, já está presente na lembrança do consumidor sem mesmo fazermos campanhas publicitárias”, explica o gerente de Marketing de Maizena, Fernando Kahane. Neste caso, basta a tradição para movimentar as vendas.

Brasília, 07 de novembro de 2010
Estado de Minas – Belo Horizonte/MG
Propriedade Intelectual | Marcas

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


− 2 = cinco