(47) 3520-6604 cerumar@cerumar.com.brÁrea Restrita

Direitos Autorais

Associação diz que agremiações pequenas não têm como arcar com custos
Liana Carvalho

A Associação de blocos Folia Carioca vai propor à prefeitura que o custo dos direitos autorais das músicas tocadas pelos blocos de rua seja pago pelo patrocinador da festa. No site do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), órgão responsável pelo recolhimento e repasse dos direitos autorais de músicas no Brasil, é possível fazer uma simulação do valor a ser pago, de acordo com o número de participantes. Um bloco do tipo familiar, que reúne 200 pessoas, é obrigado a pagar R$845,28. Ainda segundo o site, o Bola Preta, que reuniu 1,5 milhão de pessoas no carnaval passado, deve pagar R$ 6,3 milhões.
Manifestação espontânea sem fins lucrativos O presidente da Folia Carioca, Ricardo Rabelo, defende que esta despesa seja incluída no caderno de encargos. – Precisamos de uma taxa única a ser paga pelo patrocinador. Blocos pequenos não têm como arcar com essa despesa – explica Rabelo, ressaltando que ninguém se nega a pagar os direitos autorais dos artistas. – Os blocos são uma manifestação espontânea sem fins lucrativos e sem pagamento de ingresso. A grande maioria não tem patrocínio. A cidade só lucra com o carnaval de rua e, por isso, devia também arcar com o custo. Ricardo Cotrin, do Cordão do Boitatá, engrossa o coro dos dirigentes que não recebem patrocínio e consideram difícil colocar seus blocos na rua.
– Fazer bloco no Rio é complicado. Tudo o que desonerar é benéfico – diz Ricardo. Nanda Dias, do Bloco Vem ni mim que sou Facinha, concorda:
– A proposta de repassar o Ecad para a Riotur é maravilhosa. A gente não recebe nada. É um evento de rua. A gente só arrecada dinheiro com a venda de camisetas, que é muito pouco. O resto a gente paga do nosso bolso.
Pedro Ernesto Marinho, presidente do Cordão do Bola Preta, acha que a regra atual de arrecadação dos direitos autorais pode impossibilitar a realização do carnaval de rua:
-Há o risco de mo carnaval de rua acabar outra vez. Não temos como pagar R$ 6 milhões. Lotamos a Avenida Rio Branco, da Candelária à Cinelândia. Se tem um patrocinador do evento, ele é que tem que pagar o Ecad – avalia.
Ecad prevê aumentode20% na arrecadação em 2011 Em 2010, o Ecad arrecadou R$8,744 milhões no carnaval em todo o país. O valor foi 25% maior do que em 2009. Para este ano, a previsão é de aumento de 15% a 20%. – O Ecad não quer inviabilizar o evento de ninguém.
Quem executar as músicas tem que pagar. Alguns autores sobrevivem do dinheiro que é arrecadado somente no carnaval. Se a saída para os blocos é que os patrocinadores paguem, para nós não há problema algum.
Estamos prontos a conversar – diz Márcio Fernandes, gerentes executivos de distribuição e arrecadação do Ecad, que vai colocar 75 fiscais no carnaval de rua da cidade.

Brasília, 09 de fevereiro de 2011
O Globo/BR
Direitos Autorais

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


− sete = 2