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Geração download

O jovem Luka S., 15, é um típico filhote da internet. Há quatro anos baixa música na rede e já acumula um acervo de 20 mil canções. Tudo sem pagar um centavo, vale destacar. “Tentei comprar, mas era complicado”, diz. Legal ou ilegal, cresce o consumo de música digital entre jovens. “Fazer, produzir e consumir música passou por uma revolução”, afirma Marco Mazzola, produtor musical das antigas. Mazzola idealizou o Prêmio de Música Digital, cuja primeira edição acontece agora. A ideia é jogar luz em novos nomes da música que estão bombando na rede. Até a próxima segunda-feira (15/11), internautas poderão votar e eleger os vencedores três categorias
INTERNET NA BERLINDA
O prêmio também se propõe uma dura tarefa: estimular internautas a consumir música legalmente. Luka, como a maioria, sabe que baixar arquivos de graça não remunera compositores, músicos ou produtores. Mesmo assim, não se convenceu a pagar por isso. Por via das dúvidas, prefere não divulgar o sobrenome. Ele acaba de baixar os álbuns indicados no livro “1001 Discos para Ouvir Antes de Morrer”, de Robert Dimery e Michael Lydon. Nos EUA, a indústria chiou, e a Justiça mandou fechar o Lime Wire, um badalado programa de download gratuito. O motivo é óbvio: violação de direitos autorais.
O debate sobre a ilegalidade dessa prática avança no mundo. No Brasil, a internet caminha rumo a uma encruzilhada nebulosa: muita discussão sem consenso. A proposta do Ministério da Cultura (MinC) de mudança na Lei de Direitos Autorais, que acenava com avanços no tema, segue agora para o Congresso sem um artigo sobre o meio digital. “Falta um capítulo contra violação de direitos autorais na internet. Música é o conteúdo mais pirateado”, ressalta Paulo Rosa, presidente da Associação Brasileira de Produtores de Disco (ABPD).
AI-5 DIGITAL?
A chamada Lei Azeredo, que tramita na Câmara, é vista por muitos como ameaça. Seu alvo são crimes como pedofilia, mas ela atinge condutas triviais e usuários comuns. O PL está agora pronto para ser aprovado numa versão em que provedores terão que vigiar usuários mesmo sem evidências de que estejam cometendo crimes.
O senador defende que há gente inventando problemas que o projeto não tem. Uma limitação técnica, no entanto, pode azedar o andamento do PL. “Substitutivos propostos obrigam que o trâmite seja reiniciado”, diz Rodrigo Savazoni, diretor do Laboratório Brasileiro de Cultura Digital. Para o professor Pablo Ortellado, do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas da USP (Gpopai), “aprovações sem muita análise são comum sem troca de mandato”. O Gpopai propôs uma alternativa que sugere a legalização da troca de arquivos. A troca de música será debatida no dia 15, às 14h, no Fórum da Cultura Digital Brasileira (lgo. Senador Raul Cardoso, 207, São Paulo).
REVOLUÇÃO DIGITAL
Ilegalidades à parte, curtir música nunca foi tão fácil. Apesar da pirataria, a venda de músicas pela rede aumentou 159,4% entre 2009 e 2010, segundo a ABPD. A estudante Ana Luiza Goldemberg, 20, faz parte dessa estatística. Ela diz que “gastava os tubos em CDs”. Hoje, admite ser uma compradora assídua de música digital. “Compro só a faixa que eu quero.” Ela diz já ter pirateado músicas, mas diz que a qualidade não é a mesma. “Sem dizer que é ilegal!”

Brasília, 08 de novembro de 2010
Folha de S. Paulo/BR
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