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Inovação derruba inflação

O consumidor brasileiro continua preocupado com a alta dos preços. Os aumentos dos aluguéis, alimentos e combustíveis, itens altamente sensíveis ao bolso do cidadão, influenciaram o pessimismo sobre a trajetória da inflação. Temos plena convicção que o melhor caminho para combater a inflação é ofertar mais empregos, melhorar os salários e aumentar significativamente a produção interna do País com tecnologia nacional.
Uma economia saudável passa por interessantes indicadores de situação financeira e endividamento. O saldo de crédito na economia brasileira atingiu R$ 1,7 trilhão em abril, segundo dados do Banco Central. Como porcentagem do PIB, a taxa chegou a 46,6%, bem abaixo de vários países emergentes como o nosso. O que nos chama a atenção é que as operações de crédito concedidas pelo sistema financeiro mantiveram-se em trajetória de expansão moderada, evidenciando demanda mais acentuada por recursos livres, em especial por parte do setor produtivo, em contraste com a menor intensidade das contratações pelas famílias. A inadimplência do crédito para pessoa física está em 6,1% e para as empresas 3,7%, o que ainda não é alarmante.
Do ponto de vista macroeconômico, interessante, neste momento de inflação elevada, é que o crescimento econômico seja puxado mais pela expansão dos investimentos produtivos que pelo consumo das famílias. Os dados da produção industrial do IBGE de abril mostram que nos últimos 12 meses a produção de bens de capital (máquinas e equipamentos) cresceu 13,7%, enquanto a de bens de consumo aumentou apenas 2,8%. Mesmo com essa produção o problema é que o Brasil investe pouco em inovação tecnológica e os empresários falam em desindustrialização.
Uma das razões é que o Brasil importa mais produtos de média e alta tecnologia e exporta menos. O consumo doméstico aquecido e a manutenção do real valorizado em relação ao dólar fazem com que segmentos importantes da indústria nacional percam espaços para os importados. Há uma queixa generalizada de setores fabricantes de bens de consumo, como têxtil, vestuário, calçados, madeiras e móveis, de que estão perdendo competitividade.
Os dados apresentados pela Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (Protec) são preocupantes. A Sociedade afirma que o Brasil está com déficit de US$ 85 bilhões em produtos e serviços que envolvem tecnologia. O economista Schumpeter, inventor do termo “destruição criativa”, aponta que são investimentos em ciência, pesquisa e inovação que fazem o país gerar conhecimento, criar produtos, serviços e técnicas novas de produção para conquistar em longo prazo mais espaço no comércio internacional.
De acordo com dados do Ministério da Ciência e Tecnologia, os gastos com ciência, tecnologia e inovação no Brasil fecharam 2009 em 1,19% do PIB. Muito menos que Coreia do Sul (3,36%), Cingapura (2,61%) e Austrália (2,21%). No Brasil, as empresas gastaram em média 0,55% e o governo 0,64% do PIB. O mundo moderno exige cada vez mais parcerias público-privadas. Se o governo subsidia empresas para investir mais em pesquisa e desenvolvimento de produtos e processo, há a necessidade que mais empresas brasileiras criem uma cultura de pesquisa e inovação.
Se avançamos um pouco nos últimos anos, precisamos avançar ainda mais para recuperarmos o atraso tecnológico. Crescemos muito na publicação de teses, mas continuamos fracos no registro de patentes. Quando a coisa anda bem levamos seis anos para registrar a patente de uma invenção. Com tanta demora, qualquer país civilizado sai na frente com registro de patente de produtos que poderiam ter a marca “made in brazil”. Além disso, os universos científicos e empresariais ainda estão muito distantes. Permanece uma cultura empresarial segundo a qual o cientista tem pouca noção de custos e prazos. Já as universidades acham que as empresas têm visão limitada e imediatista. Essas barreiras precisam ser quebradas. Em alguns segmentos empresariais e universitários elas já foram quebradas.
O governo deu um bom exemplo ao isentar do PIS e da Cofins os tablets (computadores de mão) produzidos localmente com exigência de que 20% dos componentes sejam fabricados no Brasil. O governo criou a Embrapa em 1973 e transformou a técnica agropecuária brasileira na mais avançada do mundo. Daí fica a pergunta: por que não termos uma indústria com mais tecnologia nacional?

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