(47) 3520-6604 cerumar@cerumar.com.brÁrea Restrita

Inovação no altar

ECONOMIA – Interação com o BNDES livra Ministério de Ciênciae Tecnologia de frustrar esforço pela inovação.

Mesmo perdendo R$ 1,7 bilhão de seu orçamento para 2011, dentro do corte de R$ 50 bilhões do custeio da administração federal, o Ministério de Ciências e Tecnologia (MCT) não será o enjeitado do governo de Dilma Rousseff, mas uma de suas pontas de lança.
O incremento da inovação tecnológica no percurso das cadeias de produção, o meio mais eficaz para promover a competitividade das exportações e enfrentar a competição externa de modo perene, sem depender tanto de câmbio e subsídios, é um dos pratos quentes no cardápio de prioridades de Dilma – e a pasta do ministro Aloísio Mercadante, economista e ex-senador pelo PT, está convocada para engajar as empresas e a academia nesse processo.
Tal esforço, que começa a distinguir o avanço da China mais que sua moeda desvalorizada e salários vis e, nos EUA, foi apresentado pelo presidente Barack Obama semanas atrás como abre-alas – nesta segunda metade de seu mandato – para devolver ao país a liderança econômica no mundo ameaçada justamente pelos chineses, é um sonho antigo de todos os governos brasileiros.
Para isso se fez o MCT, nos tempos mais recentes, e é também um dos motivos da política industrial reinserida por Lula desde 2004, do crédito de longo prazo subsidiado no BNDES para alguns setores econômicos e da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), cuja primeira versão foi lançada em 2008 e a segunda está prevista para meados de abril. Entre uma e outra PDP o mundo mudou radicalmente, e também mudarão as ênfases da nova política em gestação. O que a PDP-2 será ainda não se sabe. Mas pelo desenho anunciado pelo secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento – onde está a matriz da política industrial, com o BNDES como o coração e pulmão -, Alessandro Teixeira, seus dois propulsores anteriores, o crédito e a desoneração tributária, devem perder proeminência.
Os tempos são de contenção fiscal não só por causa da inflação, mas porque os limites do orçamento federal e do crédito na banca pública foram esgarçados, enquanto subsistem demandas programadas e ainda não atendidas. Em suma, há fila no boca do caixa público para o dinheiro fiscal disponível. Mas há espaço para melhorar o crédito à exportação, há uma avenida de possibilidades em termos de desburocratização e existe dinheiro para a inovação. Articulação inovadora O suporte à inovação depende do engajamento das empresas, que no Brasil investem pouco em pesquisa e desenvolvimento (P&D, segundo o jargão) – menos de1% do PIB, contra mais de5% nos EUA, Suécia e Coréia, conforme a Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Mas sem articulação com o governo, o gasto em P&D não crescerá. E sem que as instâncias públicas envolvidas com a inovação entrem em acordo nada acontecerá. É ai que entram as coordenadas da PDP-2 e a interação entre os ministros Mercadante e Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, mais o presidente do BNDES, Luciano Coutinho.
BNDES apoiará o MCT A presidente Dilma Rousseff deu sinal verde a que o BNDES conceda um financiamento especial da ordem de R$ 1 bilhão à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o fundo de apoio à tecnologia pura e aplicada do MCT. Outra parte para compensar a perda orçamentária das verbas destinadas à inovação poderá vir de um naco do funding do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) também do BNDES.
O presidente da Finep, Glauco Arbix, avalia este segundo apoio em algo como R$ 700 milhões. Se aprovado, os recursos serão aplicados à taxa de4% ao ano – maior que na versão atual do PSI, mas ainda muito menos que no mercado. No fim, embora tais condições sejam atrativas, mais importante que dinheiro é o ânimo empresarial para investir, função da credibilidade das políticas de longo prazo. Esforço será coletivo Dilma está focada em fazer da inovação um dos pilares do ciclo de investimentos, envolvendo a indústria manufatureira no ambiente de avanços tecnológicos visíveis na órbita da Petrobras e da Embrapa.
É nesse contexto que se cogita reativar o CNDI, Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial, lançado em 2004, e, mais recente, o Comitê Pró-Inovação. A orientação é para que essa mobilização se ja tratada como um esforço coletivo entre o governo e o setor privado – e não como política individual de ministérios. É o jeito certo. Passeio ao acaso, no mundo da tecnologia, é garantia de dinheiro despejado no ralo. Como também será querer mais do que é possível. A coordenação eficaz, além de visão, é o primeiro grande passo.

Brasília, 24 de fevereiro de 2011
Estado de Minas – Belo Horizonte/MG
Inovação

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


cinco × 5 =