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Inovar para competir

Em meio à contenção de gastos, governo quer estimular empresas a investir mais em pesquisa e desenvolvimento; a palavra é INOVAÇÂO.

A palavra é inovação. Não houve entrevista ou declaração pública do ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, depois de sua posse, no dia 3 de janeiro, em que o termo não tenha sido repetido exaustivamente. Eleita como prioridade do governo Dilma Rousseff, a inovação vai guiar as ações da pasta. Mas atenção: a responsabilidade por inovar será dos empresários. Com um corte de 10% do orçamento de R$ 8,13 bilhões, o ministério estuda formas de envolver as companhias brasileiras em um processo que busca aumentar a competitividade do País e retirá-lo da incômoda 68ª posição no ranking mundial de inovação. “As empresas brasileiras têm uma demanda espontânea muito baixa por inovação”, disse Mercadante na quinta-feira 27, durante a posse do novo presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Glaucius Oliva. “Elas investem apenas 0,5% do PIB em pesquisa e desenvolvimento,
enquanto as japonesas, 2,7% do PIB.” Somada aos gastos do governo, a fatia da inovação sobe para 1,5% do PIB.
O desafio de Mercadante é grande. Ele promete repatriar pesquisadores, transformar a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) em instituição financeira e incentivar parcerias público-privadas. “Precisamos criar e promover ambientes de inovação, como parques tecnológicos e incubadoras”, diz Guilherme Ary Plonski, presidente da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores, que colaborou com o governo de transição na elaboração das metas para os próximos quatro anos.
Para promover a mudança, Mercadante se espelha na Alemanha, onde as empresas buscam um dos 58 institutos de pesquisa do país para apresentar seus problemas. “As orientações de mestrado e doutorado são feitas em cima das demandas das empresas”, afirma o ministro.
Histórias como a da Whirlpool, fabricante de eletrodomésticos, e da Embraco, produtora de compressores para refrigeração, podem ajudar o governo a convencer as empresas brasileiras a se arriscar no mundo da inovação.
“A inovação não precisa ser custosa ou cara. Ela é tão melhor quanto menores forem os esforços para consegui-la”, diz Mário Fioretti, gerente-geral de design industrial e inovação da Whirlpool. A filial brasileira registrou 68 patentes em 2010, tornando- se a única do Brasil entre as mil maiores instituições de patentes do mundo.
“Conquistamos a liderança mundial no mercado de compressores para refrigeração por oferecer produtos mais avançados”, diz Márcio Todescat, vice-presidente de pesquisa e desenvolvimento da Embraco, atual vencedora do prêmio de inovação da Finep.
Graças a critérios rígidos, somente 10% dos projetos de inovação da empresa foram descartados no ano passado. É a exceção que confirma a regra. Em 2008, último ano com dados disponíveis, o Brasil conseguiu 2.451 patentes. A China, 93.706.

Brasília, 30 de janeiro de 2011
Revista Istoé Dinheiro/BR
Desenho Industrial
Por Rodolfo Borges

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