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No dia do anúncio do Oscar, favoritos já estão na internet

No dia do anúncio do Oscar, favoritos já estão na internet DVDs de serviço enviados aos eleitores do prêmio são um caminho para a pirataria

Anúncio dos indicados ao Oscar, marcado para hoje, é fundamental para o marketing dos filmes fora dos EUA. Funciona assim: as distribuidoras seguram seus principais lançamentos no exterior para depois da divulgação da lista da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, a associação americana que organiza o Oscar, justamente para se aproveitar do burburinho gerado pelo prêmio. É por isso que favoritos como “Inverno da alma”, “Cisne negro”, “O vencedor”, “Bravura indômita”, “O discurso do rei” e “127 horas” só vão chegar aos cinemas brasileiros a partir desta semana. Mas a demora também gera um problema. Hoje, enquanto os indicados vão sendo anunciados, guris ao redor do mundo estarão baixando cópias de boa qualidade de todos esses filmes em seus computadores, com um código que atende pela sigla DVDSCR e é uma das maiores preocupações de Hollywood hoje. Trata-se de uma pirataria que parte de integrantes da própria indústria.
Os DVDSCR são os DVDs screeners, ou DVDs de serviço, que são enviados para jornalistas, produtores, atores, diretores e demais eleitores do Oscar, às vezes antes de o filme chegar aos cinemas. A única diferença para um DVD tradicional é a presença de avisos esporádicos sobre a procedência do produto e eventualmente de um contador de tempo. De resto, a imagem é perfeita. – Mais de 90% das cópias de filmes piratas ainda são de gente que grava o filme de dentro do cinema. Mas, nesse caso, a imagem costumam ser bem ruins.
Os DVDs screeners, por sua vez, ainda que menos comuns, têm boa qualidade de exibição. Houve uma época em que os estúdios até tentaram controlar seu envio – afirma o advogado Márcio Gonçalves, ex-diretor Anti-Pirataria da Motion Picture Association para a América Latina.
O problema é que a decisão de mandar ou não os DVDs de serviço para os eleitores de Oscar, Globo de Ouro e demais prêmios coloca os estúdios numa arapuca. Por um lado, os discos fazem com que os filmes sejam mais assistidos e, por consequência, recebam mais votos – filme que ninguém viu não ganha Oscar. Mas, por outro, eles representam o risco da pirataria. Calcula-se que o cinema americano perca US$2 bilhões por ano com as cópias ilegais de filmes no país.
– É impressionante que a própria classe seja a favor da pirataria, principalmente sacrificando os mercados internacionais, que muitas vezes são quem responde pelas maiores bilheterias – diz Paulo Sérgio Almeida, diretor do portal de análise de mercado Filme B. – É um tiro no pé. Quem coloca um filme desse na internet ajuda a dar o golpe mortal na indústria. Realmente os DVDs de serviço deveriam ser substituídos.
Para tentar evitar a pirataria dos screeners, os estúdios dizem colocar uma marca d’água nos filmes, o que possibilitaria apontar o responsável pelo vazamento. Em 2004, o plano deu resultado. Com a ajuda do FBI, identificou-se que a cópia pirata de “Alguém tem que ceder” que circulava na internet havia vindo do disco de serviço enviado para o ator Carmine Caridi, na época eleitor do Oscar e mais conhecido por seus papéis em “O poderoso chefão II” e “O poderoso chefão III”. Mais tarde, descobriu-se que o ator mandou pelo correio mais de 60 DVDs para um amigo, que era quem disponibilizava os filmes na internet. Caridi acabou expulso da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas e foi processado.
Por problemas como esse, um executivo dos estúdios Summit (“Crepúsculo”, “O escritor fantasma” e “Guerra ao terror”, entre outros) afirmou, em dezembro, que a empresa estudava banir de uma vez por todas os screeners. A medida serviria para se tentar resgatar o prazer do ineditismo do cinema e retomar o impacto das indicações ao Oscar no espectador.

Brasília, 25 de janeiro de 2011
O Globo/BR
Pirataria

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