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Obstáculos para a inovação

A inovação é fundamental para o vigor da cadeia produtiva de um país. Para isso, as empresas precisam investir alto e, ainda, assumir os riscos em caso de insucesso na estratégia de inovação adotada. No Brasil, agências governamentais disponibilizam várias linhas de crédito para o fomento à inovação, o que é uma solução plausível para minimizar riscos e diluir investimentos. Porém esses recursos mal chegam até as empresas, por vários motivos, e com isso retardam o desenvolvimento industrial e produtivo de nossos parques. Recentemente, a Fundação Dom Cabral reuniu, em São Paulo, as maiores e mais inovadoras empresas do Brasil e os órgãos de fomento do Governo (Finep, BNDES, Fapesp e outros), além do próprio Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, para debater sobre o financiamento à inovação e as dificuldades inerentes a esse processo. No encontro, ficou claro que as linhas de crédito não só existem como tendem a aumentar nos próximos anos. Porém, esses recursos acabam se acumulando devido às dificuldades de acesso às linhas de financiamento, seja por causa dos entraves burocráticos, seja pela pouca qualidade dos projetos apresentados pelo setor privado. A iniciativa privada queixa-se da extrema pulverização dos recursos e do foco de aplicação em áreas prioritárias, em especial as relacionadas à tecnologia, impedindo que sejam financiados demais processos, serviços e modelos de negócios. As reclamações abrangem ainda a complexidade burocrática e a morosidade para o acesso e a liberação dos recursos destinados à inovação. Some-se a isso a falta de uniformidade, ou de “padrão”, entre as agências de fomento e as linhas de crédito. Por outro lado, os órgãos financiadores se mostram preocupados com a qualidade dos projetos submetidos pelo setor privado, o que paralisa a concessão do crédito para a inovação. Pesquisa recente do Núcleo de Inovação da Fundação Dom Cabral, realizada com grandes empresas brasileiras, mostra que 82% delas utilizam os incentivos oferecidos pelo governo à inovação e 73% dispõem de equipes para elaborar projetos e os submeter à aprovação dos agentes financiadores. Os órgãos com os quais as empresas mais se relacionam na busca por incentivos são principalmente a Finep e o BNDES. E a Lei do Bem, que prevê incentivos fiscais a empresas que desenvolverem inovações tecnológicas, é o instrumento de incentivo e fomento à inovação mais utilizado, por 64% das companhias. Este panorama nos revela, de um lado, o interesse do setor privado pelos mecanismos de fomento à inovação e, de outro, a disponibilidade de recursos para financiamento por parte dos governos. Então, o que falta para avançarmos? Um caminho é a facilitação do acesso aos recursos, sem perder o foco no critério de avaliação da qualidade dos projetos. Destravar esse aparato burocrático é importante. Além disso, a interação entre os atores do Sistema Nacional de Inovação, composto por governo, setor privado e academia, ainda é tímida e precisa evoluir com mais rapidez.

ANDERSON ROSSI
Brasília, 28 de novembro de 2011
O Globo/BR
Inovação
ABPI.empauta.com pg.22

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