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Pessimismo empresarial

Os empresários ficaram mais pessimistas e estão deixando na gaveta projetos mais ousados de investimento. São raros os empresários satisfeitos com o atual governo. Ninguém se sente à vontade para fazer uma crítica mais contundente pois acham que encontrarão do outro lado uma postura soberba e messiânica, que tornaria esse esforço inútil ou até prejudicial a seus próprios negócios. Daí que as manifestações das ruas – excetuando, evidentemente, os quebra-quebras, com danos materiais e risco à integridade física dos indivíduos, inclusive de quem não deseja participar – teve inicialmente uma simpatia do empresariado. Mas, se havia pessimismo quanto à capacidade de a economia crescer, com inflação mais baixa, tal sentimento se agravou no mundo dos negócios. Não se chegou ainda à fase de parar investimentos já em curso, mas poucos agora querem se aventurar a tirar da gaveta projetos mais ousados. Alguma dose de pessimismo é necessária para moderar o risco dos investimentos, mas se o pessimismo for predominante, não há economia que consiga resolver seus problemas. O governo não pode ignorar esse ambiente negativo, especialmente quando definir as regras das próximas licitações de concessões de infraestrutura. O país tem realmente obstáculos que precisa superar, mas conta também com fatores positivos concretos, capazes de impulsionar a economia (Copa do Mundo, Jogos Olímpicos, pré-sal, agronegócio, demanda altamente reprimida na infraestrutura, etc). Desprezado o Brasil constrói por ano uma média de 700 metros de cais em seus terminais portuários. Mal ou bem, o canal que foi aberto no Açu, em São João da Barra, pela LLX e a OSX, para a criação do chamado TX2, abriu a possibilidade de se construir, em prazo relativamente curto, 16 quilômetros de cais, dos quais uma parte já ficará pronta este ano para atender indústrias como a francesa Technip e a escandinava NOV, fabricante de tubos flexíveis para campos de petróleo no mar. Como tudo que Eike Batista toca agora é amaldiçoado (antes tudo virava ouro), o mercado não está avaliando corretamente esse tipo de ativo. Portos poluídos A Coppe (Coordenação dos Cursos de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro) é mais que um centro gerador de pesquisas tecnológicas. Tornou-se também um centro irradiador de ideias, estudos e pesquisas que ultrapassam os limites da engenharia. Foi assim que surgiu o Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais, que tem se dedicado especialmente a analisar soluções de sustentabilidade na infraestrutura. Quando um grande navio encosta no porto continua a queimar combustível, causando poluição atmosférica que afeta áreas urbanas vizinhas; mas já há alternativa a isso, com o uso de geradores de energia elétrica oriunda de fontes mais limpas. Os portos brasileiros também acumulam grandes quantidades de resíduos (sobras de produtos agrícolas para exportação, por exemplo), hoje sem aproveitamento. 0IVI, por iniciativa da Secretaria dos Portos, mobilizou uma rede de universidades para buscar soluções para esses problemas, e o primeiro resultado desse trabalho acabou de ficar pronto. Propriedade intelectual valorizada A inovação, ao menos no discurso, passou a ser prioridade da política industrial, pois essa talvez seja a maneira mais eficaz de o setor recuperar competitividade em relação aos concorrentes internacionais. Embora vários centros de pesquisa e desenvolvimento estejam sendo criados no país especialmente os relacionados à exploração e produção de petróleo em águas ultraprofundas, no parque tecnológico da Ilha do Fundão a questão das patentes ainda parece refletir os tempos em que era mais conveniente para o país fazer vista grossa, já que parte considerável da indústria só conseguia sobreviver fazendo cópias. Hoje o cenário é diferente. Ao abrigar uma série de grandes eventos internacionais, o Brasil terá de dar provas de respeito à propriedade intelectual, por força de contratos assinados até com aval do governo. O órgão encarregado de registro de marcas e patentes (o INPI) também está se mobilizando para agilizar processos e até conseguiu criar um sistema colaborativo, informatizado,com outros países do continente. A análise feita em outro país fica valendo aqui e vice-versa, ganhando-se bom tempo. Não por acaso o próximo congresso da Associação Brasileira de Propriedade Intelectual – entidade que completará 50 anos este ano – programado para agosto no Rio, terá
um número surpreendente de participantes estrangeiros.

George Vidor
Brasília, 08 de julho de 2013
O Globo | BR
ABPI

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