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RJ: operação contra pirataria não tem data para terminar

A Polícia Civil do Rio deu início na quarta-feira à maior operação de combate à pirataria do País. Agentes da Delegacia de Repressão aos Crimes contra Propriedade Imaterial (DRCPIM) ocuparam o Camelódromo da Uruguaiana, no centro, sem data para sair.
A intenção é acabar não só com o comércio de produtos ilegais, mas também com o esquema de aluguel e até de venda dos 1.508 boxes, o que é proibido. O negócio, montado por um grupo já identificado, foi descoberto em sete meses de investigação. Os donos dos quiosques podem ter a licença cassada.
No Camelódromo, será montada uma base da DRCPIM que vai fiscalizar o comércio no local, irregular há 16 anos. A operação, com 120 policias, contou com o apoio da Receita Federal e do Grupo de Proteção à Marca. A expectativa é recolher, até sábado, 150 toneladas de mercadorias, que contabilizariam cerca de R$ 20 milhões. Às 6h, os agentes isolaram o local. Segundo a polícia, 90% dos quiosques não abriram, embora os comerciantes não tenham sido proibidos de trabalhar. Para abri-los, foram necessários chaveiros. Em algumas lojas, principalmente de tênis, foram encontrados fundos falsos. “Quem não deve, não teme. Tenho nota dos produtos e como os vendedores de piratas não estão trabalhando hoje, vou até vender mais”, disse um comerciante legalizado, que pediu anonimato. Para evitar que as mercadorias fossem danificadas na fiscalização, comerciantes a companharam as ações. Marcos Alves, mesmo com cerca de 60% dos produtos de sua loja piratas, resolveu abrir as portas. “Prefiro que levem a mercadoria sem arrebentar as portas. Depois vou acabar tendo mais prejuízo”.
Segundo a delegada da DRCPIM, Valéria Aragão, a pirataria movimenta mais que o tráfico de drogas. Por ano, são cerca de R$ 600 bilhões. Só no Brasil, são gastos R$ 30 milhões apenas em roupas e sapatos piratas. “No Brasil a pirataria é pulverizada. Os produtos vêm da China e Paraguai. Há poucos laboratórios aqui. DVDs e CDs são os preferidos por serem mais fáceis de fabricar”, explicou ela. “Os grupos disputam territórios à base de homicídios e extorsões”, disse o chefe de Polícia Civil, Allan Turnowski. “A gente espera zerar a venda pirata da Uruguaiana. A ocupação do Camelódromo é um projeto dentro do compromisso que o Rio assumiu de combate à pirataria nos grandes eventos”, explicou ele, referindo-se à Copa de 2014 e às Olimpíadas de 2016. Grupos que controlam o comércio são identificados Ninguém foi preso na operação. “Os grupos que controlam o comércio no Camelódromo não ficam ali, mas já foram identificados, serão chamadas a depor e vão responder criminalmente. Nosso objetivo é apreender as mercadorias e, assim, retirar a força financeira da pirataria. O que vai acabar com a ela é a nossa permanência no local. A mercadoria não vai mais entrar”, explicou Valéria. De acordo com as investigações, há pessoas que são donas de até 10 quiosques, mas a legislação permite que uma pessoa seja dona de apenas um. Esses boxes são alugados por R$ 2 mil por semana e vendidos por R$ 300 mil. Segundo a Secretaria Especial da Ordem Pública (Seop), o terreno onde funciona o camelódromo é particular, pertence à Rio Trilhos e foi invadido. “Aquilo nunca foi legalizado. É uma herança maldita”, disse o secretário Alex Cunha. O secretário estadual de Transportes, Julio Lopes, informou que negocia com a prefeitura a legalização.
Campanha orienta sociedade
Para a delegada Valéria Aragão, a pirataria é o crime do século 21. “As penas são brandas, há tolerância da população e baixo custo com grande lucro. Por isso, muitos estão migrando para esse tipo de crime”, explicou ela, que iniciou ontem também, durante a operação, uma campanha educativa sobre a pirataria. Foram distribuídos folhetos com o telefone do Disque- Denúncia (2253-1177), e peritos vão dar aulas mostrando a diferença entre os produtos falsos e os originais. “A população não pode compactuar com esse crime. A pirataria não tem o lado lúdico como muitos pensam. Acabou, basta! Ilegal nunca mais”, avisou Valéria, informando que a pirataria deixa de gerar dois milhões de empregos.

Brasília, 27 de janeiro de 2011
Terra – Notícias/BR
Pirataria
ABPI.empauta.

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