(47) 3520-6604 cerumar@cerumar.com.brÁrea Restrita

Tradição, cultura e qualidade na entrega do certificado da IP Farroupilha

Imagine uma região produtora de vinhos que exporta para países como Rússia, Estados Unidos e Japão, possui uma tradição de 140 anos e apresenta um tipo de uva que não existe em nenhum outro lugar. Não estamos falando de alguma área da França, Itália ou Portugal. Trata-se de Farroupilha, região gaúcha que recebeu do INPI, no dia 27 de outubro, o certificado de Indicação de Procedência (IP), uma das espécies da Indicação Geográfica (IG).

– Estas videiras são parte da nossa vida – resumiu o prefeito de Farroupilha, Claiton Gonçalves.

 

Pimentel entrega certificado para presidente da AfavinViviane Zanella / Embrapa Uva e Vinho

Pimentel entrega certificado para presidente da Afavin
Viviane Zanella / Embrapa Uva e Vinho

A força da tradição já podia ser percebida no local de entrega do certificado: o Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio, em Farroupilha. Assim como a fé católica, o vinho está fortemente marcado na cultura do povo local, compondo uma identidade de 140 anos que remonta ao início da colonização italiana, em 1875.

Quando os primeiros imigrantes chegaram à Serra, justamente em Farroupilha, trazendo máquinas e pertences nos animais, não era possível imaginar que o vinho local desenvolveria uma imagem tão forte de tradição e qualidade – simbolizada, a partir de agora, pela Indicação de Procedência.

– Estamos falando de tradição, cultura e perseverança dos produtores que chegaram aqui. Por isso, a IG se reconhece, não se cria. Ela traz consigo a sustentabilidade social e ambiental, sendo fundamental para agregar valor, garantir segurança alimentar e estimular o desenvolvimento regional – afirmou o presidente do INPI, Luiz Otávio Pimentel, que entregou o certificado para o presidente da Associação Farroupilhense de Produtores de Vinhos, Espumantes, Sucos e Derivados (Afavin), João Carlos Taffarel.

Para quem não conhece os vinhos moscatéis da região, algumas informações impressionam: Farroupilha tem uma espécie de uva, a moscato branca, que não é encontrado em nenhum outro lugar e gera um vinho doce e aromático. Além disso, os vinhos tiveram um nível de reconhecimento que os levou até para a Rússia, os Estados Unidos e o Japão, mercados extremamente exigentes.

Os números também são expressivos: as nove vinícolas que integram a Associação Farroupilhense de Produtores de Vinhos, Espumantes, Sucos e Derivados (Afavin) produzem cerca de 60 milhões de litros de vinhos a cada ano. Com a possível adesão de outros produtores, os números podem aumentar ainda mais.

– Nossa região tem produtos originais e é promissora. Vamos qualificar cada vez mais nossa cadeia produtiva para desenvolver a vitivinicultura – comentou Taffarel.

Estimular o crescimento destes números e, de modo geral, o desenvolvimento do território, estão entre os objetivos da Indicação Geográfica (IG). Ela garante que os produtos com este selo possuem as características que constituem a identidade daquela região – bem resumidas na expressão francesa terroir.

– Qualidade é algo que vai muito além do que está na taça. É o que está na mente das pessoas. Com a IP, teremos mudanças significativas – afirmou Mauro Zanus, chefe-geral da Embrapa Uva e Vinho, que teve papel essencial na construção da IP.

Presidente do INPI e produtores de vinho com a IPViviane Zanella / Embrapa Uva e Vinho

Presidente do INPI e produtores de vinho com a IP
Viviane Zanella / Embrapa Uva e Vinho

Entenda a IG

De acordo com a legislação brasileira, a IG tem duas espécies: a Indicação de Procedência (IP) se refere à região que se tornou conhecida por determinado produto ou serviço; já a Denominação de Origem (DO) se refere a produtos ou serviços cujas características dependem especificamente do meio geográfico, seja por fatores naturais e/ou humanos.

Atualmente, o Brasil possui 52 IGs, sendo 35 IPs e 17 DOs. O Rio Grande do Sul é o estado com maior número de registros no INPI (dez). Ao reconhecer a IG, o INPI permite que os produtores tenham uma importante ferramenta para competir no mercado com base na qualidade, gerando efeitos marcantes nos resultados comerciais, no desenvolvimento regional e, portanto, na qualidade de vida da comunidade.

Reunião na Embrapa

Para dar mais impulso à IG no Brasil, está em discussão a criação de uma rede de instituições que trabalham com a Indicação Geográfica. Este tema foi discutido no dia 26, em Bento Gonçalves (RS), durante reunião do presidente do INPI, Luiz Otávio Pimentel, com o diretor-executivo de Transferência de Tecnologia da Embrapa, Waldyr Stumpf, o chefe-geral da Embrapa Uva e Vinho, Mauro Zanus, o pesquisador Jorge Tonietto (que coordena os projetos relativos à IG), o chefe adjunto de Transferência de Tecnologia da unidade, Alexandre Hoffmann, e a chefe da Divisão Regional do INPI no Rio Grande do Sul, Maria Isabel Cunha.

Fonte: www.inpi.gov.br

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


5 + cinco =