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Transferência de tecnologia

Tecnologias que vão de materiais médicos a absolvição de impacto por tênis são desenvolvidas na UFMG

Pensar, pôr a ideia no papel, levá-la à prática e transformar tudo em avanços. Na linguagem acadêmica, significa transferir tecnologia da universidade para o setor produtivo e as políticas públicas. Na UFMG, o total de depósitos de patentes saltou de três, em 1995, para mais de 300, em 2009. O ano passado também foi marcado pelo recorde de licenciamentos (transferência para a iniciativa privada): 38, contra apenas quatro em 2003. A área farmacêutica é a que mais se destaca. A instituição mineira tem a maior quantidade de pedidos de patentes do setor no país, respondendo por 28%.
A UFMG foi a única universidade brasileira a entrar no ranking internacional da Organização Mundial de Propriedade Intelectual, na lista das instituições com o maior número de patentes depositadas. Entre os pesquisadores responsáveis por esses resultados, estão alunos de mestrado e doutorado, mas também da graduação. “Todos os setores figuram como inventores. E isso se reflete em conhecimento passível de ser transferido, de pronto, para a sociedade”, afirma o pró-reitor de Pesquisa, Renato de Lima Santos. Estudante do doutorado, Daniel Neves Rocha, de 31 anos, é um verdadeiro exemplo de produção de inovações dentro do Laboratório de Bioengenharia (Labbio), do Departamento de Engenharia Mecânica. O espaço concentra várias linhas de pesquisa – biotecnologia assistiva (órteses, próteses e dispositivos para reabilitação), área biofotônica (na descoberta de corantes que ajudam na desinfecção de bactérias e fungos acionados pela luz), projeto de equipamentos diversos para a medicina, simulação biomecânica de ossos, músculos e tendões, entre outros. Apenas Daniel Rocha já tem no currículo nada menos que sete patentes: órtese de mão, duas propriedades referentes ao tênis crômic aerobase, aparelho para controlar a incontinência urinária, plataforma de treinamento de equilíbrio, método e sonda de aspiração endobronquial (dentro dos pulmões). Um dos grandes orgulhos do pesquisador é o tênis, que já está no mercado como uma das principais vedetes da empresa que comprou a ideia. Ele tem um solado que amortece o impacto do pé no solo, impedindo a absorção desse choque pelas articulações do tornozelo, joelho ou quadril. O doutorando, que também é professor do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), em Congonhas, na Região Central do estado, conta que depois de se formar em engenharia mecatrônica trabalhou algum tempo na área de manutenção, mas logo se rendeu ao mundo dos laboratórios.”Sempre gostei de inovação tecnológica e me via limitado na manutenção. Tenho perfil de pesquisador e não quero voltar para a indústria agora, mas desenvolver tecnologia para o setor de dentro da universidade”, diz. O coordenador do Labbio, professor Marcos Pinotti, afirma que o desafio de tirar as inovações das prateleiras esbarra na legislação brasileira. “Ela é muito restritiva em relação à transferência do conhecimento da universidade para o setor industrial. Se a lei favorecesse, poderia haver muito mais produtos saindo daqui e indo para as empresas”, relata. Para estreitar laços entre os dois segmentos, a Escola de Engenharia está investindo numa aproximação com a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), para envolver os empresários mineiros nos projetos que ocorrem na universidade. O pró-reitor Renato de Lima Santos ressalta a importância desses esforços: “A parceria com empresas tem crescido e essa é a tendência no país e no mundo. No Brasil, ainda há predomínio do financiamento público, ao contrário do que ocorre em países desenvolvidos ou em crescimento acelerado. O desafio é inverter a razão entre público e privado”. Na UFMG, esse movimento está em ascensão e o número de convênios passou de oito, em 2005, para 52 no ano passado. “A universidade é uma gente de transformação da sociedade e a população em geral, às vezes, tem dificuldade em perceber essa ação. Mas cada um dos milhares de alunos que passam pela UFMG, certamente, tem suas vidas transformadas. Na imensa maioria das vezes, o avanço ocorre do ponto de vista da cidadania e da influência socioeconômica na comunidade em que o indivíduo atua. Além disso, há a geração de tecnologia, uma vertente fascinante, na qual a universidade tem um papel extremamente relevante”, ressalta o pró-reitor de Pesquisa.

Brasília, 07 de novembro de 2010
Estado de Minas – Belo Horizonte/MG
Propriedade Intelectual

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