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UFMG faz parcerias e acelera pesquisas

Clélio Campolina, da UFMG: Ficamos em 2009 com o maior número de patentes por universidades brasileiras no exterior Inovação : Universidade mineira ultrapassou a paulista Unicamp em pedidos de patentes no ano passado

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) começa a acelerar a orientação da sua pesquisa tecnológica para o mercado. Dados preliminares mostram que a instituição já se equipara à Unicamp, de Campinas, em São Paulo, em registro anual de patentes no Brasil. Recordista nacional em depósitos de patentes, com 653 registros já divulgados no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI ),a Unicamp fez 51 depósitos no ano passado, segundo a instituição divulgou recentemente, em quanto a UFMG solicitou 60 registros, de acordo com o coordenador de transferência de tecnologia e proteção intelectual da universidade, Pedro Pires. Em 2009, a relação era inversa e a distância menor: a Unicamp fez 52 pedidos e a UFMG, 45, segundo dados das instituições. A universidade mineira conta com 327 depósitos públicos de patentes. Nos últimos anos, a Universidade de São Paulo (USP), com 551 depósitos de patentes, registrou o maior número anual de pedidos. As estatísticas de 2009 e 2010 são aproximadas, porque as patentes só são tornadas públicas pelo INPI, após um prazo de sigilo que pode durar até 18 meses.
O depósito de patentes da UFMG vêm em uma sequência de crescimento. Em 2006, foram solicitadas 32 patentes, número que saltou para o patamar entre 40 e 50 entre 2007 e 2009. Já somos os maiores no âmbito das universidades federais e ficamos em 2009 com o maior número de patentes registradas por universidades brasileiras no exterior, afirmou o reitor da UFMG, Clélio Campolina. O reitor se referiu ao registro de 20 patentes via PCT – mecanismo que permite o patenteamento simultâneo em 142 países. Fora do âmbito universitário, quem mais patenteou em 2009 foi a Whirlpool, fabricante de eletrodomésticos, com 37 registros.
O caminho entre a universidade e o meio empresarial se tornará mais curto ainda este ano,quando a UFMG deve inaugurar seu parque tecnológico, uma locação de espaço para 15 empresas, para que possam desenvolver projetos de tecnologia, com possibilidade de interação com a universidade. Já está definida a instalação, entre outras, de um centro de tecnologia de pesquisa em minério da Usiminas e de um núcleo de desenvolvimento para aparelhos cardiovasculares, da subsidiária da canadense Saint Jude Medical Brasil.
A iniciativa é um indicativo da aplicação comercial da pesquisa da universidade mineira. Das 40 tecnologias licenciadas pela instituição, nove são de desenho industrial e quatro são licenciamento de conhecimento.
A tecnologia de autoria da UFMG sobre amortecimento de calçado, aplicada a um modelo de tênis produzido pela Cromic, de Nova Serrana (MG), tornou-se um chamativo para as vendas da empresa UFMG faz parcerias e acelera pesquisas de calçados. Está se tornando o nosso principal produto, disse o dono da Cromic, Júnior César da Silva,
que adotou para o produto, vendido em lojas da cidade por R$ 70 o par, o nome comercial aerobase. Segundo Campolina, a UFMG segue a mesma interação com o meio privado que marcou as universidades americanas da região do Vale do Silício e que também foi seguida pela Unicamp, nos anos 1980, e pela USP, mais recentemente. Mas a integração foi acelerada pela própria transformação da economia mineira, nos últimos anos, que começou a demandar os serviços da universidade com maior vigor.
Em 1981, quando escrevi minha tese de doutorado – Estado e Capital Estrangeiro na Industrialização Mineira. Minas Gerais tinha um capitalismo sem empresários, em que as decisões econômicas eram, na maior parte das vezes, tomadas fora. Consequentemente, a inovação empresarial vinha de fora, disse o reitor. Mas há, atualmente, uma nova geração de empresas que já nasce voltada para a alta tecnologia, de um modo que só é possível em cidades de médio porte. São Paulo é grande demais para esses experimentos.
Campolina cita como exemplo o resultado da incubadora criada na UFMG. Das 60 empresas incubadas pela universidade desde 1996, 93% delas ainda estão em atividade, índice de vitalidade muito acima do normal, segundo ele. A vocação da universidade mineira para a pesquisa aplicada ao mercado começou a se desenvolver poucos anos antes da criação da incubadora. A UFMG registrou sua primeira patente em 1992. De acordo com Campolina, a trilha foi aberta para a UFMG, hoje com 52,6 mil alunos, graças às mudanças na legislação da época. Em 1996, entrou em vigor a lei de patentes. Em 2004, surgiu a lei da inovação tecnológica, que garante para o inventor de um produto ou processo, até 30% do valor de seu licenciamento (downpayment).

Brasília, 02 de março de 2011
Valor Econômico/BR
Desenho Industrial

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