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Um país clandestino

Quase metade da população confessa ter comprado produtos ilegais Cerca de 70 milhões de brasileiros admitiram ter comprado produtos piratas em 2010, o que supõe que 48% da população adulta do Brasil consome produtos ilegais, de acordo com um balanço apresentado pela Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio?RJ). O relatório Pirataria no Brasil comportamento dos consumidores nos últimos cinco anos, anunciou que o número cresceu de 56,4 milhões de compradores de produtos piratas, calculado em 2006, para mais de 70 milhões atuais. “A pirataria é uma epidemia que se expande por todo Brasil”, lamentou o presidente da Fecomércio-RJ, Orlando Diniz.
Diniz apontou que um dos problemas mais graves que as autoridades enfrentam é a falta de consciência dos efeitos negativos da compra dos produtos piratas para eles mesmos e para a sociedade. Além de contribuir para o desemprego e para o aumento do trabalho informal, o mercado de produtos falsificados prejudica o comércio legítimo em seu faturamento e contribui para o aumento dos impostos, fala Diniz. Por outro lado, a compra e o uso de mercadorias falsificadas como brinquedos, eletrônicos e cosméticos podem afetar a saúde dos consumidores. Para a grande maioria que respondeu a pesquisa (94%), o preço baixo dos produtos falsificados é a principal razão para optarem por versões piratas. Nesse sentido, a Fecomércio- RJ afirmou que o aumento do poder Aquisitivo de milhões de pessoas que subiram de classe social está relacionado com o aumento do consumo de produtos piratas. De acordo com o relatório, a estimativa de consumo para este ano das classes C, D e E, é de R$ 880 bilhões, grupo que já concentra um poder aquisitivo maior que o das classes A e B, que gastaram R$ 590 bilhões.
ELETRÔNICOS
A venda de equipamentos eletrônicos, como DVD,
continua sendo um dos negócios que mais sofrem prejuízo, embora a porcentagem dos consumidores que afirmaram comprar CD falsificados tenha diminuído de 86% para 79%. No entanto, a venda de DVDs pirateados passou de 35% dos consumidores, em 2006, para 77%, em 2010, período no qual venderam 7,2 milhões de gravadores de DVD em todo o País.
A sétima arte é um dos mercados mais prejudicados pelo avanço das novas tecnologias. O cineasta Wagner de Assis, diretor do filme Nosso Lar de bilheteria do cinema brasileiro, criticou a facilidade para produzir e distribuir cópias na rua, sem represália policial. “Não consigo passar pelo centro do Rio de Janeiro sem que alguém me ofereça meu filme por R$ 3 ou R$ 4”, lamentou Assis, que pede apoio das autoridades.

Brasília, 01 de dezembro de 2010
Jornal de Brasília – Brasília/DF
Conselho de Combate à Pirataria
ABPI.empauta.

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